• Vinícius Braga

Enem: palavras que você fala, mas não pode usar na redação


Utilizar na dissertação palavras e expressões da linguagem falada é um dos erros que tira pontos na Competência 1 da prova de redação do Enem, se você repetir um erro desse tipo. Ou seja, perde pontos se cometer um erro do mesmo tipo duas vezes.

Não é à toa que isso está na primeira competência: ela avalia seu domínio global da escrita, e não da fala, que é outro modo de comunicação, com outros protocolos e regras. A questão é que há várias palavras da linguagem falada comuns também na escrita.

Um pouco de confusão ocorre porque nós lemos essas palavras em narrativas, romances e até em reportagens, gêneros em que elas são permitidas, principalmente quando o texto registra a fala de personagens, e nos acostumamos a elas. Mas uma dissertação é, em princípio, endereçada a qualquer leitor, não a um leitor específico, por isso você não pode conversar com quem a está lendo.

“O aluno não deve escrever em dissertação como se estivesse conversando com alguém. Ele deve passar a mensagem com foco na informação, se concentrar naquilo a que se refere, seu conteúdo, e não dialogar com quem o lê. É comum nas dissertações aparecerem frases como ‘então, se você conhece alguém que sofre preconceito, denuncie’, ou seja, a pessoa conversou diretamente com o leitor. Ela deveria escrever, por exemplo, ‘quando alguém sofre preconceito isso deve ser denunciado’. Se o aluno mantiver em mente que deve ser impessoal e não pode se referir ao leitor, ficará mais fácil evitar as oralidades”, explica a professora Nathália Macri Nahas, colaboradora do Guia do Estudante Redação.

As cartilhas do participante da prova do Enem, divulgadas todos os anos pelo Inep, dão pistas, mas não aprofundam a abordagem ou os exemplos. Elas sugerem evitar a repetição de alguns termos, pois essa repetição é que tipifica uma conversa – quando a pessoa encadeia ideias em frases curtas, sem muita preocupação de coesão e adequação de sentido da palavra no conjunto. As cartilhas exemplificam com “e”, “aí”, “daí” e “então”, instruindo os candidatos a usar palavras mais formais.

♦ Usar aí e daí

De fato, usar aí e daí pode ser considerado oralidade pelo avaliador, já que inicialmente ambos são advérbios referentes a lugar (como em “não coloque a toalha molhada aí” ou “sai daí”). Assim, não é adequado usá-los como conectivos, e escrever, por exemplo: “o governo entrou em crise fiscal e aí começou a cortar gastos”; ou “a inflação tornou-se um problema, daí o Banco Central aumentou a taxa de juros”. O texto da cartilha sugere que o uso desses termos, dessa forma, será considerado oralidade.

♦ Usar E repetidamente

Usar e repetidas vezes também pode ser oralidade. Como e é principalmente usado como conjunção, deve preferencialmente ligar períodos, não frases estanques. Usar uma vez tudo bem, mas pode ser considerado oralidade iniciar duas ou três frases com ele.

♦ Uso de então

Surpreso com a inclusão da palavra “então” como possível erro? Pois esse é um caso especial em que a instrução do Inep pode confundir, já que é possível usar então adequadamente na dissertação. A palavra pode ser usada como conjunção, com o sentido de logo, nesse caso, dessa forma; e também como advérbio temporal, com o sentido de aquele tempo ou época. Exemplos de uso correto:

Como conjunção: Se o governo exige deveres do cidadão, então deve também zelar por seus direitos.

Como advérbio temporal: A Constituição de 1988 consagrou os direitos dos indígenas. Desde então, eles lutam pela demarcação de suas terras.

♦ Evite algumas contrações

Algumas contrações são consideradas regulares na escrita, mas outras geram dúvidas entre os gramáticos: alguns dizem que é linguagem oral, outros que não é. São os casos dos termos dum (de mais um), duma (de mais uma), num e numa (em mais um e uma). Como há dúvidas entre os gramáticos, o candidato provavelmente não perde pontos ao usá-los, mas sugerimos evitá-los. Afinal, numa já gerou até a gíria numas. Com certeza evite pra (em lugar de para), tá(em vez de está), né (de não é), são da linguagem oral.

♦ Não use interjeições

Como hein, oh, ah, poxa, puxa, putz e outras. São típicas da fala.

♦ Não use gírias

Como tipo, cara (se referindo a pessoa), valeu, rolê, mina, chocante, trolar(aprontar) e outras.

FONTE: GUIA DO ESTUDANTE


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